
Saudações circadianas, amigos!
Andei nostálgico nos últimos dias. Tanto que sem perceber, me peguei lacrimejando sobre as fotogradias da universidade. Certamente, bons tempos. Despreocupação, descompromisso, libertinagem confrontavam com grandes amizades, festividades e amores que até então persistem nas minhas mais tenras luzes memoriais. Me deparei com a fotografia de um desses amores, quiçá, o maior deles. Um amigo, e sua ex. Para ser honesto, a motivação que me trouxe a este recinto. Eu nunca consegui compreender um dos seus maiores problemas - a cegueira. Não, ela não era cega. Apesar de sua anatomia e função ocular serem normais, ela teve uma imensa dificuldade de enxergar o que era melhor para ela. Sempre trocado por algo aparentemente melhor, e no outro dia destrocado porque a verdade sempre dizia: "nossa...como eu sou burra de ter trocado...", dia pós dia, meu amigo foi se matando, e o meu cérebro foi enovelando-se até dar um nó de marinheiro, que nunca mais desatou.
A fotografia me foi inspiradora. Eis-me cá.
A capacidade humana de realizar investimentos de risco é catastrófica. Ser feliz se tornou um problema social, ao invés de uma meta vitalícia. Como se a vida tivesse seu final iminente a cada segundo, as pessoas a engolem até se engasgar e vomitar tudo. E só depois do trauma, que volta a consciência. É patético.
Já não basta ser bom, leal, companheiro, fiel, amável, amoroso. Ser tanto significa ser bom demais pra ser verdade, dado que sempre existirá um refratário que jorra as próprias fezes no ventilador, sujando todos ao seu redor. Eis a causa do problema - o(a) idiota. Aquele(a) que fez você ter uma noite maravilhosa, e que no outro dia esqueceu até a cor dos seus pêlos pubianos. Será a maior marca da sua vida, e vai governar sua inteligência emocional até o dia que você ler este texto, ou morrer em solidão relembrando de todas as chances que teve para ser feliz, e dispensou em prol de defender um pensamento falho e ultrapassado.
É um Jesus Cristo às avessas, dado que ele fode a humanidade alisando o próprio ego (ou alter-ego, se julgarmos pela falta de verdade em seus pensamentos). Depois dele, já não vale a pena se envolver, se entregar, se apaixonar, voar alto, chorar de saudade, cair, se reerguer e se tornar mais forte do que nunca. Pois todos os seus semelhantes não prestam. È a verdade absoluta recriada sobre um fato isolado, o que constitui uma péssima metodologia para se definir os rumos da vida.
Como em um ciclo interminável, a decepção nos bons corações desligados de uma forte ideologia os corrompe, e os transmuta em covardes. Sim, covardes, pois perderam a fé que pelos bons caminhos se chega à felicidade, e acabam optando por um caminho simplório e superficial. Sem coração, nem paixão. Apenas tesão. E a felicidade ali, bem ao lado, minguando até definhar.
É sim. Aquele (a) bonzinho (a). Que outrora morreria para lhe ver sorrir. Que daria o coração por uma só chance. Aquele sonho de adolescente que abandonou porque era distante demais, ou talves a vida já se tornara tão amarga que não valia a pena sequer arriscar. O coração batendo forte de anseio por conhecer um mundo lá fora, e você perdido (a) no pensamento racionalista de nao trocar o certo pelo duvidoso, sem perceber que o duvidoso é morrer dentro das bolhas que criamos, sem jamais ter arriscado.
É claro que isso também tem limite. O coração humano é enganoso. Recria ilusões para evitar que o corpo sofra. Qualquer gesto parece só amor aos olhos de um coração apaixonado. Mas sabemos a verdade dos fatos. Sempre sabemos.
E superego também tem limite. O cérebro humano é seguro. Tanto que não se arrisca. É incapaz de dar um passo a frente, sem sentir bem o chão que pisa, calcular a quantidade de peso que ele aguenta, dentre outras variáveis. Se um não for satisfeita, o corpo nao caminha.
Talves esta seja a maior dúvida do ser humano. Ter um dom divino se confrontando com a humanidade dos sentimentos. Então, depois de um grande pensar, conclui-se que "enquanto um segura, o outro bate" !
Sim, este é o caminho. Calcular os riscos, devagar, ponderado, e se arriscar, se houver uma única chance. Para quem luta com afinco, o objetivo se torna uma questão de tempo. Uma forte ideologia é capaz de atropelar qualquer decepção, em prol de manter vivo um sonho.
Então, se dê uma chance de ser feliz. Olhe bem ao teu lado, e veja nos olhos de quem te ama o desejo por te fazer feliz. Arregace as mangas, e vá ao trabalho. Veja dentro de si as próprias falhas, sem culpar a humanidade pela própria decepção, ou criar teorias plurais sobre o sexo dos anjos, e tome os caminhos que o seu pensar sempre disse serem os corretos. Só desista daquilo que um dia já teve, e descobriu que não lhe convém, sem abandonar o mesmo ao relento. Chore a derrota da batalha, com o sabor de sangue na boca fervendo do anseio por vencer a guerra, sem amargar o deboche de quem cobiça. Deseje, sonhe, planeje e construa seu caminho até o infinito dos seus almejos.
Mente e coração à serviço da vida. Assim como no princípio de tudo.
Um aperto auricular, malucos!